Cheiros no elevador

Cheiros no elevador

Resolveu o tédio de subir e descer diariamente os 23 andares do elevador quando passou a reparar nos cheiros. 6 apartamentos em cada um dos 25 andares, não faltariam odores pra se entreter.

Cheiro de comida era comum, sobretudo de noite, com pizzas e sanduíches. Às vezes sentia estrogonofe ou bife, alguma quentinha que chegava ou partia, alguns doces no horário de saída de colégio.

Nos inícios de manhã e finais de dia as águas de colônia e os desodorantes se misturavam com xampus e sabonetes. Ou suores, um pouco depois, dos que subiam da academia ao lado do salão de festas.

Imaginou quão inconveniente deve ter sido pra criança com talco novinho ter dividido o espaço com o rapaz da camisa que pegou chuva no varal. Ou pro profissional da limpeza que passou pano com detergente no xixi que o cachorro esqueceu.

Um dia, não decifrou o que sentia. Subiu e desceu algumas vezes, até o cheiro desaparecer sem apontar uma direção. Foram meses até conhecer Jean-Baptiste Grenouille e entender.

Gustavo Burla

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