Artista carioca

Artista carioca

Via nos filmes da juventude os caixões puxados por cavalos pretos, as fartas coroas de flores penduradas deixando pétalas pelo caminho, os enormes guarda-chuvas pretos como um mar pela avenida, sob eles os ternos pretos e os vestidos de luto eterno pela morte da pessoa mais importante do mundo.

Fez fortuna fazendo arte (desculpem pela interrupção do autor: estamos num passado distante ou num mundo hipotético, não no Brasil de 2019) e deixou claras as obrigações no testamento: fraques pretos a todos, longos pretos a todas, cavalos pretos, guarda-chuvas pretos, carruagem preta, gorros e chapéus pretos. Queria o mundo aconchegado em seu luto.

Morreu no verão.

Gustavo Burla

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