No bar

No bar

Era uma quinta-feira chuvosa, resolvi parar num barzinho e ouvir uma apresentação do recital de violão do meu professor.

Não conhecia ninguém e decidi sentar-me à mesa ao lado do músico. Como não bebo, pedi água e fiquei degustando aos goles quando, de repente, vi tudo rodando. Suor frio escorria pelo meu rosto e a face começou a ruborizar. Um sentimento de raiva aflorou e comecei a quebrar tudo.

Tentaram me prender, me segurar, mas minha força era tanta que derrubei muitas pessoas. A ira foi indo embora e o choro surgiu ininterruptamente. Até que uma pessoa apareceu e me levou dali para uma praça.

Me acalmei daquelas variadas emoções e o senhor que me acolheu explicou que colocaram algo na minha água.

Resolvi me despedir do senhor e agradecer-lhe. Segui o caminho de volta ao bar e retomei meu lugar ao lado do músico. Fiquei envolvida pela melodia, que encheu minha alma de encantamento.

Sheyla Mattos

Texto elaborado na oficina “Arquétipos e criação de personagens” realizada no Palavre-se, Tenetehara, agosto de 2019.

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