Dormia com um bloco ao lado da cama para anotar sonhos. De manhã não se lembrava deles e brigava com a memória durante o desjejum, na certeza de ter deixado escapar ideias que dariam bons contos, romances ou roteiros. O bloco ao lado da cama o baú das boas ideias (embora decifrar os garranchos no dia seguinte trouxesse novo desafio).
Foi justamente na noite do crime perfeito, da narrativa que o descortinaria para o mundo como o maior escritor policial de todos os tempos, que a caneta falhou. No escuro.
Gustavo Burla