Depois da chuva

Depois da chuva

Para C.

A morte chegou com cheiro de chuva. Primeiro o som do telefone, alto como trovoada, trazendo notícia em forma de raio. Custou-lhe acreditar. “Como assim morreu? Vi-o há poucos dias e fazia sol.” Mas o céu despencou feito lágrimas, as gotas molhando o asfalto por onde ele tinha passado. Tinham percorrido aquele chão; no meio do caminho ela deixara um pouco de seu estômago frágil. Passava mal à toa aquela menina! Ele não. Era forte, era um gigante de dois metros. Como alguém tão grande pode morrer?

O estômago dela voltou a doer depois da chuva. Ele nem sentiu.

Táscia Souza

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