Improvável

Improvável

Morri. Mas morri feliz.

O acidente foi feio. Um ônibus com todo o tipo de pessoa que se possa imaginar. Uma curva que deveria ter sido retirada do caminho.

Rodamos e giramos como se estivéssemos numa montanha-russa. Houve muito grito, muito sangue e muito riso, vindo de mim.

Eu estava preso, processando tudo, quando escuto “Tem um braço nos meus pés. Quem perdeu um braço?”.

Caí na gargalhada. Mesmo engasgado com meu sangue, não parei de rir.

É certo o que dizem: realmente, quando a alma sai do corpo, ficamos mais leve. Ou foi a tragicomédia da situação?

José Eduardo Brum

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