Nada de amigo do homem

Nada de amigo do homem

Escalou o Himalaia. Duas vezes.

Pulava de bungee jumping desde que completara 15 anos.

Na infância, andava descalço, bebia água de torneira, não lavava as mãos.

Tinha paixão por descer corredeiras ferozes sem qualquer arranhão.

Caçava animais, nunca tendo sofrido com picadas.

Jamais fora operado, não costumava fazer check-up, tinha saúde de ferro.

Até que um simples cachorro cruzou sua vida. Devido à ausência, a esposa comprou uma companhia de quatro patas.

Bagunça, mau cheiro, pelos.

Morreu. De alergia, de intoxicação e de desgosto. É um mundo cão.

José Eduardo Brum

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