Que que foi?

Que que foi?

Nem bom-dia, nem boa-tarde, nem boa-noite. Antes da porta fechar, ela já queria saber:

– Que que foi?
– Que que foi o quê?
– Por que tá com essa cara?
– Que cara?
– Essa aí, sei lá…
– Uai, é a minha cara.
– Pode falar. Aconteceu alguma coisa?
– Não.
– Tem certeza?
– Tenho. (primeiro silêncio) E com você, tudo bem?
– Tá. Tô preocupada com a Cris… Sumiu.
– Você ligou pra ela?
– Sim, mil vezes, não atende.
– Desde quando?
– De hoje cedo.
– Ah.
– Que que foi?
– Nada.
– Você não preocupa?
– Não.
– Hum… (segundo silêncio) A Nanda saiu daqui muda. Ela tá muito estranha, você precisa ver. Acho que tá mal com o Leo, pelo jeito.
– Oh! Tava tão feliz… Ela te contou alguma coisa?
– Não, mas dá pra ver.
– Dá pra ver?
– No jeito deles, ué. Tá estranho.
– Pode ser só impressão, fica puxando pra baixo não.
– Quem disse que eu tô puxando? Tá na cara, uai.
– Entendi.
– (terceiro silêncio) Mas você não ia trabalhar a tarde toda?
– Ia. Vou. Mas resolvi passar pra te ver, conversar um pouquinho.
– Por quê? Tem alguma coisa errada comigo?

Mônica Calderano

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