Teoria

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Há um piscar de olhos em que tudo muda. Em termos puramente científicos, o olho humano pisca muito mais rapidamente do que o transcorrer de um segundo e é perfeitamente possível piscar várias vezes em um único sessenta avo de minuto. Tendo a achar graça, mas é fato que calcularam — talvez na falta do que fazer com o próprio tempo — que, em média, o olho humano leva de trezentos a quatrocentos milissegundos para piscar uma vez, o que equivale a cerca de três a quatro décimos de segundo.

Nada disso me interessa, a não ser a constatação de que entre o cerrar de pálpebras e seu reabrir, ventos varrem uma cidade, tempestades desabam do céu, paisagens se transformam em pó, universos inteiros desaparecem e ressurgem na forma de outros mundos, outras realidades, outros pensamentos. Transubstanciação de matéria em desordem, como aquela que os matemáticos incluem no rol das extremas sensibilidades às menores perturbações, em que pequenas alterações na situação inicial provocam modificações dramáticas na evolução do sistema.

Traduzindo: cílios superiores e inferiores se roçam, inteiros asas de borboleta e, num repente, da pequena energia desse movimento, tem-se o Caos.

Táscia Souza

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