O torcedor

O torcedor

Torcia no futebol da rua, nos coletivos na escola e nos jogos que via pela televisão. Nas corridas, escolhia um competidor e vibrava. Em reuniões de amigos pra jogar videogame, jamais segurava o joystick. Era torcedor.

Era ver a possibilidade de alguém ganhar e lá estava: dedos cruzados, pé de coelho em punho e começava a fazer contas. Apuração era sempre ótimo: escola de samba que não tirava 10 era triste, candidato que subia e descia no percentual do aplicativo era angústia.

Na última eleição, no entanto, terminou o primeiro turno com medo de não poder torcer mais se continuasse daquele jeito. Precisava virar a partida. Tornou-se jogador.

Gustavo Burla

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