Vontade de comer bolo

Vontade de comer bolo

Um bolo especial, daqueles de festa, não bolo comum. Desses, fazia em casa, comprava na rua, comia em cafés. Queria bolo de festa, molhadinho, enfeitado, pedindo a vela que nunca punha porque achava nojento ter chocolate com gosto de cera e cuspe.

Era só ligar e encomendar em algum lugar, mas faltava a festa. Lembrou de uma vez que a mãe comprou coxinhas, daquelas pequenas, que vendem o cento, numa sexta-feira qualquer. Estavam deliciosas, talvez as melhores já comidas naquela casa, mas eram coxinhas erradas, porque não havia festa.

Esperou até que surgiu uma data comemorativa. Uma data que tinha todo ano, não um aniversário. Que também tem todo ano, mas tem um número que muda. Era uma data genérica, mas data de festa. Encomendou o bolo. Pediu com o coração, muito maior que o estômago ou o cérebro e marcou hora de buscar no dia da celebração.

Quase beijou o bolo quando viu, resistiu diante das lascas de chocolate, deixou no banco do carona e contentou-se com o cheiro até a hora da batida. Tão feio o acidente que tripas e bolo tornaram-se um só, como ele desejava.

Gustavo Burla

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