Fog

Fog

Ferventou linguiça pra tirar a gordura e resolveu fritar na mesma panela. Não era anti-aderente, o que em nada comprometeu a feitura, mas agarrou um pouco de coisa no fundo. Despejou as rodelas num pote e deixou água cair aos poucos na panela. Subiu muita fumaça e ele achou divertido, ia quase gota a gota.

– Tá um fumacê aqui. – ouviu a voz dela do sofá pela última vez. Quando virou-se, onde antes havia uma quitinete era pura neblina. Chamou pela moça e nada. Caminhou pela fumaça e não via vultos. E caminhou e caminhou.

Horas depois, a nuvem escureceu São Paulo.

Ele, o cozinheiro, segue caminhando.

Gustavo Burla

 

 

 

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