Corda Mi

Corda Mi

Sorrio. Primeiro para a moça de cujo nome não me lembro, mas em cuja festa de aniversário vim parar. Desejo felicidades e sorrio. Sou apresentada a seus amigos e sorrio. Aceito o copo de cerveja já meio quente, meio mijo que alguém desconhecido me estende e só rio, porque a outra opção não existe.

No pequeno palco do bar alguém canta e penso em dizer ao violonista que a corda Mi está perceptivelmente desafinada. Em vez disso, espero o fim da canção para imitar os outros e bater as palmas de minhas mãos repetidamente uma contra a outra, três vezes, quatro, cinco, o suficiente para ser educada e o homem da corda Mi desafinada, agradecido, sorrir para mim.

Táscia Souza

Texto elaborado juntamente com os participantes da oficina “Arquétipos e criação de personagens” realizada no Palavre-se, Tenetehara, agosto de 2019.

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