Nuvem

Nuvem

Coloque na nuvem, disseram; para não perder. Foi o que fez. Primeiro as fotos: as que estavam consumindo quase toda a capacidade de armazenamento do celular e depois as outras, mais antigas, esquecidas numa pasta na área de trabalho do computador. Mandou para a nuvem velhos textos em Times New Roman 12, os publicados e os que nunca viram a luz de um leitor. Enevoaram-se os comprovantes escaneados do Lattes há muito desatualizado, os artigos dos tempos de pós-graduação, as provas desastrosas da época da faculdade. Arquivos em mp3 de meia dúzia de músicas compostas para ninguém ouvir, juntamente com poemas escritos e jamais enviados para o grande amor da adolescência, viraram névoa.

Com computador, celular e mente vazios, quando a memória restou nebulosa e cada lembrança se fez uma micropartícula em suspensão num servidor qualquer, suspirou e deixou-se ir para as nuvens também. 

Táscia Souza

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