Procura-se

Procura-se

Na infância, aprendeu a procurar os sete erros, o Wally, o brinquedo perdido no fundo do baú e aquela peça específica naquele tom de azul daquele canto do céu do quebra-cabeças de duas mil peças. Procurou saber o que era procurar um agulha no palheiro e procurou a origem dessa procura tão difícil. Procurou também o cometa Halley no céu, mas não achou.

Cresceu procurando a luz no fim do túnel, procurando fontes acadêmicas e procurando a graça em estudar tanto para ter um papel pendurado na parede depois de tanto esforço. E procurou por horas e madrugadas a fio erros de continuidade (que insistia em chamar de continuísmo) nos filmes que via e revia.

Preso em casa por uma pandemia, procurou não perder o controle. Procurou manter a disciplina de exercícios, procurou pratos diferentes para cozinhar nas refeições e procurou não se entediar diante da incansável rotina de telas. E quando achou que não teria mais o que fazer da vida, passou a procurar lives e cursos e reuniões com pessoas diferentes para procurar livros conhecidos nas estantes que serviam de cenário.

Gustavo Burla

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