Da primeira vez foi normal:
– Eu gostaria de falar com o Sérgio.
– Não tem ninguém aqui com esse nome.
E desligaram. Ele achou grosseiro, mas largou pra lá.
Na segunda, a mesma coisa:
– Alô, eu gostaria de falar com o Sérgio.
– Não tem Sérgio aqui, quem tá falando?
Desligaram do outro lado, mais grosseiro ainda depois da pergunta.
E assim seguiram os dias, até que, com a lembrança do número do eterno engano na bina, ele atendeu.
– Não tem Sérgio aqui e vou te ensinar uma coisa: quando você liga pra casa de alguém e, mais importante, alguém atende, não importa se está falando com a pessoa certa ou não: o fato é que você está tomando tempo dessa pessoa e o mínimo que poderia dizer é descupe, liguei errado, foi um engano ou obrigado e não desligar o telefone de quem pode até estar sorrindo pra você e sendo gentil, entendeu?
– Na verdade, eu queria falar é com o João: toda vez liguei pro número certo e pedi pra falar com a pessoa errada.
– Tudo bem, é o João, pode falar.
Gustavo Burla