Poço dos desejos

Poço dos desejos

Já tinha desistido de ser rico. Filho de pedreiro e de dona de casa, seu passatempo entre as folgas no comércio e a escola era a feira de domingo, onde ajudava a mãe a vender as esculturas de epóxi. Assim tocavam a vida, ajeitando mês a mês o ordenado, sem fonte dos desejos.

Nunca tinha visto uma antes de olhar a figura no livro de Geografia. Ficou se perguntando como funcionava e descobriu que a história por trás de um poço era o que mais importava para as pessoas.

O pai construiu, impermeabilizou e azulejou a estrutura, a mãe fez a cara de onde saía a água e ele contou a história por trás da bica perto do gramado onde cresceu jogando bola. No final do dia recolhia as moedas com um snorkel. Não todas, para incentivar os desejos do dia seguinte.

Gustavo Burla

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