Era o que todos diziam, o clichê esperado.
Até que o viram fazer um castelo com peças magnéticas e disseram que seria arquiteto, para construir casas, prédios, castelos e museus. Ele entendeu o que era e ficou pensativo.
Quando o viram contar histórias para os dragões, monstros e bichos de pelúcia que organizou simetricamente em meia lua no tapete, disseram (não sem desespero) que seria professor (coitado). O que ele também entendeu (o coitado talvez não) e pensou.
Diante do talento dramático do menino, fosse ao contar as histórias (para adultos, não na sala de aula simulada) ou brincando com os colegas, afirmaram que seria artista da cena, do palco ou do cinema. Isso ele entendeu e todos viram um esgar cínico no pequeno, que pensava:
“Vou ser astronauta, meu balão voou para o céu e é o único jeito de recuperá-lo”.
Gustavo Burla