Era uma vez uma mata enorme, sem proporções mensuráveis, e uma família de insetos a conversar com exclamações: precisamos sair daqui rápido – o mundo está acabando – as árvores desabam sobre nós – as sombras somem e sufocam nossos lares – rápido, pequenos, voem para a segurança – ali, sob aquele telhado, estaremos salvos!

Era uma vez um grande pomar e uma família de pássaros a conversar com reticências: os galhos ensolarados estão caídos – os galhos de sombra estão com sol – o pote de frutas foi derrubado – o canto dos farelos está perto de galhos jogados – estranho – os insetos sumiram – melhor procurar outro lugar, pouca comida por aqui…

Era uma vez uma casa na roça, com varanda e algumas árvores, e uma família de humanos a conversar: sem aqueles galhos as outras árvores podem ver o sol – vão dar frutos, finalmente – até aqui bateu mais sol – barulho irritante o da serra elétrica – tem uma mosquitada aqui hoje – vou ver se os passarinhos comeram as frutas – os galhos esmagaram as frutas – o que dá na mesma, porque os passarinhos não apareceram hoje – roça sem o barulho dos passarinhos e com um monte de mosquito não compensa.

 

Gustavo Burla