Nobel de literatura
O sonho dela era ser poeta, mas nunca havia escrito um verso sequer. Nem seu nome sabia escrever. Poetava era de outras formas, com um assobio baixinho enquanto varria a casa, um sorriso suave enquanto espanava o pó, o toque ao mesmo tempo firme e terno de amassar a carne moída que viraria bolo, que […]
Escada sem fim
Descia e subia as escadas de seu prédio. Quinze andares. Gostava de andar e considerava o elevador parente do carro, apenas questão de eixo. Exceto quando na pressa (que procurava evitar, programando-se) ou com compras e outros pesos (inevitáveis), subia e descia as escadas. Repetitivas, as escadas mostravam os andares e nada mais, sem encantos […]
Réquiem
Por vezes acionava o repeat do aparelho e ouvia a mesma música de novo e de novo. Por horas. Era como se, naqueles dias, só aquela música falasse, mais nenhuma. Não que fosse surdo para as outras; as outras músicas é que eram surdas para sua dor. Ou para sua alegria, ou para o seu […]