Escrever até cair
Escreveu tanto que a mão caiu. Passou anos ouvindo a lorota de que a mão cairia se ele continuasse naquele ritmo. O que ele não sabia era que a mão cair não significava que a mão estaria morta. A mão continuou escrevendo. Sozinha. Por isso ele continuava se considerando um escritor. Gustavo Burla
O que dizem fora, o que diz dentro
Todo mundo dizia que ela não tinha vida. Ela estranhava. E colocava a mão discretamente no tórax, um pouco mais para a esquerda, sentindo. Estava ali, batendo. Não era aquele ritmo, às vezes mais potente, às vezes mais fraco, que indicava que estava viva? No entanto, se todos diziam, devia ser verdade, não é? Foi […]
Camaleão
Voltou do circo querendo ser palhaço, trapezista, malabarista, mágico e leão. Chegou do cinema se sentindo herói que luta, cavalga, atira flechas e beija a mocinha. Passeou pela universidade logo se sentindo professor, aluno e vigia, ao mesmo tempo. Foi ao supermercado para querer ser caixa ou repositor. Do dentista saiu com vontade de ser […]