Bu!

Bu!

 

Decidiu que estava doente. Que ficaria doente. Comprovou para si que estava acometido por algo. Que tinha uma doença dissolvendo seu ser. Afirmou a todos que não estava bem.

Com o bendito plano de saúde, veio a bateria de exames. Checou do fio de cabelo à unha do pé. Especialistas e generalistas, digo, clínico-gerais passaram e revisaram os resultados. Não havia nada. A doença era fantasma como ele.

Sem a preocupação e o assunto saúde, percebeu que não era ninguém. Não falava, não interagia. No estudo, se faltava, nenhum colega comentava o que havia sido dado pelos professores. No estágio, não era convidado para happy hours. Na família, morava sozinho. O último relacionamento amoroso fora há sete anos.

Então, decidiu que sempre seria doente. Comprovou que isso era possível. Afirmou que sua profissão era adoentado. Tornara-se indivíduo de teste para as grandes farmácias.

O fantasma virou espectro da ciência.

 

José Eduardo Brum

One Response »

  1. Mto mto bom! Adorei!

    Conheço pessoas assim. Que só se satisfazem se houver algum problema. Não aceitam um novo relacionamento, as diferenças são um problema. Não aceitam uma promoção no emprego, as responsabilidades são um problema. Não aceitam mudar de cidade, as ruas novas são um problema.
    Essa tal “energia positiva” muda tudo. Alto astral, boas vibrações curam qualquer doença.

    O pessimismo começa no cérebro e invade o corpo todo.

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