Joker

Joker

Ele sempre fora um menino de riso fácil. Passado o choro inicial, aquele de todos os bebês ao serem expulsos da quentura do útero, ele imediatamente sorriu, tão logo foi colocado nos braços da mãe. Anos mais tarde, na fase em que todas as crianças da escola pareciam fazer careta de tão esticados eram seus sorrisos à simples menção da palavra foto, o dele saía naturalmente. Na adolescência, embora não fizesse o tipo galã da turma, era de longe o mais admirado, tudo por causa da alegria, da risada contagiante, do rosto que parecia inteiro brilhar a qualquer leve estirar de lábios. Até seus olhos sorriam.

No único dia em que ficou triste, ninguém sabe bem o porquê, o mundo inteiro notou. No fim da tarde, depois de passar horas ouvindo cada pessoa que encontrava perguntar onde estava seu riso, entrou num estúdio e pediu que tatuassem bem grande, no tórax, do lado esquerdo: HAHAHAHAHAHAHA. A gargalhada ficou ali, cravada em seu peito. E nunca mais saiu.

Táscia Souza

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