Aterrissagem 

Aterrissagem 

Da janela ela acompanhava o entardecer pintando cores e luzes no horizonte.

Viu um lindo colchão de nuvens gorduchas se formando logo abaixo do avião. Se elevando junto ao horizonte, outras nuvens, essas mais pontudas, formavam um relevo semelhante a uma cordilheira de altas montanhas. Entre a cordilheira e o colchão de nuvens ela viu surgir um lindo lago suspenso que refletia as montanhas e as luzes daquele sol que corria para se esconder depois de um longo dia de trabalho. O avião faz uma leve curva, inclinando sua janela sobre a imensidão azulada de nuvens. O lago então virou mar, as nuvens se fizeram grandes ondas e ela ficou ali, navegando ao balanço daquelas vagas aéreas, tentando imaginar como seriam as pessoas que moravam nos altos castelos que apontavam sobre aquelas montanhas no horizonte depois do vasto oceano. O avião faz mais uma curva e mergulha oceano adentro. Ela prende a respiração para não se afogar nas águas profundas, fecha os olhos e se deixa submergir ao encontro de grandes baleias, lindas arraias e muitos peixes coloridos.

Segundos depois o avião pousa na pista, o piloto repete a mensagem de sempre — dando boas-vindas à terra firme. Ela abre lentamente os olhos, solta o ar que havia prendido, toma novo fôlego… e dá boas-vindas à realidade.

Elena Duarte

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