Author Archives: hupokhondria

Concha nasal média direita com curvatura paradoxal

Concha nasal média direita com curvatura paradoxal

Até a curvatura estava tudo bem. Assim… Bem daquele jeito que leigo interpreta exame médico: se nariz curvo é certo, nariz reto é falho. Tudo bem: anestesia e faca consertam. Paradoxo não tem cura.

Pensou nos argumentos opostos, nas opiniões absurdas, no senso comum, na lógica, no mundo. Nunca mais aceitaria que dissessem ter colocado o nariz aonde não era chamado.

Tomou a assertiva como política, pelo lado do paradoxo. Venderia as imagens de seu nariz como um tratado de ciência política!

Porém, como andar na rua carregando essa situação? Tudo já andava por demais distópico e  talvez o nariz não passasse de um texto.

Olhou para as as duas conchas nasais, colocou-as frente a frente, e ordenou dialético: resolvam-se.

Gustavo Burla

 

 

 

Petricor

Petricor

Nunca imaginara que existia um nome para isso, mas lá estava: palavra recém-descoberta, colorida, líquido que corre na veia dos deuses e cai na pedra, um significado inteiro para seu aroma preferido, aquele que sobe do solo depois da chuva.

Foi exatamente o cheiro que sentiu quando a gota escorreu do olho e pingou no peito.

Táscia Souza

 

 

 

Ano novo, remédios novos

Ano novo, remédios novos

Desde que descobriu a passagem de ano como um momento de pedir boas vibrações para o que se inicia, decidiu também pedir a cura para a suas doenças.

Aos 15 anos pediu para a dor de amor, que a afetou quando seu par escolheu outra dama para o baile de debutantes.

Aos 16, suas borboletas no estômago se transformaram em gastrite, e foi por ela que a menina pulou as sete ondinhas no mar.

Aos 17, pediu pelas dores de cabeça, causadas por golpes muito pesados, disfarçados de palavras que ela mal sabia pronunciar.

Na virada para os 18, arriscou-se mais, e pediu a cura para a doença chamada “falta de esperança”.

— E tem cura isso?

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.

Espero que sim, pensou.

Mariana Virgílio