Category Archives: Gustavo Burla

São.

Abraços

Abraços

Abracei a primeira pessoa que vi na rua. Naquele tempo foi estranho, antes via gente na rua de quinze em quinze dias, ao sair para as compras. Quando tudo acabou, dei um abraço na primeira pessoa que encontrei. E ela me abraçou de volta. Sem susto, sem surpresa. Foi troca de carinhos, de saudades, de vontade de ser gente na rua de novo. Todo mundo se abraçou. Até hoje a gente se abraça muito, bem mais do que antes de a gente ter que ficar em casa abraçando gato, cachorro, arco da porta. Abraçar gente porque a gente pode abraçar gente é o que nos faz humanos. Todo mundo se abraça hoje em dia, cada abraço gostoso, que preenche. Na fila do banco, na porta do banheiro do bar, na rua sem mais nem quê, todo mundo se abraça. Com a sensação de que sempre falta alguém para abraçar.

Gustavo Burla

Jornalismo de dados

Jornalismo de dados

Tá nervoso?

Não.

Tá suando.

Calor.

Tá frio aqui, ar tá ligado. (pausa) Tá nervoso sim.

O que cê tá fazendo aqui?

Vim pra entrevista.

Por quê?

Por quê…? Pelo emprego…

Você trabalha com dados?

Desde o colégio.

Colégio!?

Calma, parceiro… Cê quer uma água, um…?

Não! Nada. Tudo bem.

Meio tenso mesmo tudo isso, parece que tem um monstro atrás daquela porta…

Para!

Sente a emoção, fica melhor assim.

Para!!!

Cara, cê não confia na sua sorte?

Achei que ninguém mais estivesse aqui, acha que tenho sorte?

Ia entrar nessa sozinho!? Cara, ainda bem que tamos juntos!

Só tem vaga pra um.

Verdade… Falhar é crítico. Mas…

O quê!?

E se um dos dois tiver sucesso absoluto? Pode puxar o outro.

Você é…

Confiante.

Tem certeza que trabalha com dados?

Tenho uma luderia, um blog, e um canal no YouTube.

E daí?

Dados, saca. Da-dos. Tá no edital. Trouxe os meus aqui na mochila. Mas até chamarem a gente dá tempo pra um cardgame.

Gustavo Burla

Todos

Todos

Ah, que admirável mundo novo é este em que todos podem sair e respirar o ar puro, em que todos podem sair para se encontrar nos parques e nas praças, em que todos pensam na coletividade como um bem maior, que inclui saúde, educação e bem-estar, um mundo em que todos somos pessoas boas e dispostas a ajudar com uma mão amiga e uma palavra de apoio, todos acreditamos que uma humanidade deve trabalhar junta para o desenvolvimento do planeta, todos voltados para a preservação da natureza, da identidade de cada um, das diversidades culturais, todos vivendo mais que sobrevivendo em meio a todas as formas possíveis de moradia, todos tendo direito à alimentação, todos podendo respirar arte e entendendo que política é tudo isso, é todos nós. Todos, menos os outros.

Gustavo Burla