
Palavras de orientação
A edição deste ano da Cartilha para Ensinar teve poucas mudanças em relação à do último ano. Algumas palavras foram trocadas, para mais objetividade no desenvolvimento do ensino, proporcionando aprendizagem mais rápida aos estudantes. Entre as palavras trocadas, muitas podem permanecer no vocabulário usado em sala de aula e na sociedade. A única mudança mais relevante está na palavra professor.
O Ministério da Educação, após reuniões com profissionais de diferentes pesquisas, decidiu que a palavra professor é inadequada à utilização social. Professor é uma palavra que significa “aquele que professa algo” (isso pode ser confirmado na Cartilha com Palavras Permitidas do ano anterior, em fase de recolhimento quando esta cartilha é distribuída). Professar é um verbo que faz pensar em fé, crença, religião. O que é ensinado em sala de aula não é fé, crença ou religião. A sala de aula é espaço de ensinamento da Democracia Autorresponsabilizadora. Para agir com autorresponsabilidade, o cidadão deve conhecer as várias abordagens das ciências: biológicas, físicas, químicas, históricas, geográficas, literárias e políticas. Para respeitar o Estatuto da Democracia Autorresponsabilizadora, o cidadão deve ser capaz de compreendê-lo, assim como suas possibilidades nos diferentes setores da sociedade. Um cidadão culto é um cidadão responsável, um potencial Cidadão de Bem.
A palavra professor é danosa ao diálogo social democrático, pois pode sugerir a transferência de uma ideologia, não de um saber científico. Isso se agrava quando tentativas de modificação foram tentadas, como professador de conhecimento. Mais do que uma possibilidade de interpretação ligada a fé, crença e religião, a palavra professador assemelha-se a profeciador, “aquele que propaga profecias” (definição existente na Cartilha de Palavras Inadequadas). Vivemos em uma sociedade racional e profecias são afirmativas caracterizadas pela suposição fantástica, pelo misticismo, o que tiraria a seriedade da profissão responsável por ensinar em sala de aula. Por isso, aquele que até ano passado era chamado de professor é doravante denominado ensinador.
Antes: Professor.
Depois: Ensinador.
A palavra professor se torna oficialmente banida do vocabulário legal e entrará no aplicativo no Nível Ensino: quem a pronunciar receberá uma áudio-aula ensinando que ela deve ser substituída. A partir do próximo ano, a palavra professor vai para o Nível Alerta, acionando o Sistema de Regulação Social Integral para avaliar o contexto em que ela foi utilizada. No ano seguinte, com a palavra no Nível Denúncia, o cidadão que a pronunciar será convidado a comparecer no escritório do Diretório de Cumprimento das Leis do Acordo Social Democrático para prestar esclarecimentos. Conforme a decisão dos diretores, o cidadão pode ser encaminhado ao Conselho de Garantia da Autorresponsabilização e, dali, ao Consultório.
Ciclos de aprendizagem
A proposta de nossas escolas é ensinar aos alunos de hoje como as falhas de Antes mostraram caminhos mais para o desenvolvimento da sociedade. É função do ensinador desenvolver o raciocínio do estudante, transmitir valores e aprimorar o espírito crítico.
A segunda etapa de ensino da Sociedade Autorresponsabilizadora consiste em nove Ciclos Temáticos, dentro dos quais cada ensinador é responsável por ensinar sua ciência.
Importante: ensinador é aquele que ensina. Se o estudante não aprende, não poderá ser chamado de aprendedor (palavra em discussão para substituir estudante; envie sua opinião para o Ministério da Educação pelo link Opinião do aplicativo). Um ensinador incapaz de gerar aprendedores pode ser convidado a comparecer para justificar-se no Ministério da Educação, diante de uma equipe composta por cinco profissionais: dois do Ministério da Educação (um especialista no Estatuto de Educação Autorresponsável e um consultor da Cartilha para Ensinar), um representante do Sistema de Regulação Social Integral, um especialista na área de atuação do ensinador e um representante do Diretório de Cumprimento das Leis do Acordo Social Democrático, ao qual ele pode ser convidado a se deslocar depois de tomada a decisão da equipe.
Em cada Ciclo Temático, os ensinadores se organizarão em grupos. Cada um é responsável pelo ensinamento de sua ciência e o coordenador do grupo é o ensinador de História. Ele elabora, junto com a equipe, o cronograma das atividades ao longo dos nove meses de estudo de cada Ciclo. O ensinador de História é também responsável pela apresentação do tema do Ciclo para os estudantes, assim como pelo acompanhamento individual deles.
Funções do coordenador:
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- apresentar, na primeira aula do Ciclo (primeira-feira, às 8h00), a temática a ser estudada;
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- encontrar-se com a turma semanalmente no mesmo horário para aprimorar a discussão temática, seguindo pelas páginas da narrativa com explicações e questionamentos;
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- acompanhar o rendimento dos estudantes em sala, suas avaliações e suas relações com os estudantes e com os ensinadores;
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- elaborar, junto com outros ensinadores, cronograma e avaliações do Ciclo;
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- estabelecer estratégias para o alcance das expectativas de aprendizagem do Ciclo;
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- conversar semanalmente com os ensinadores em particular;
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- reunir-se mensalmente com toda a equipe de ensinadores para discutir o andamento do Ciclo e o desempenho de cada estudante;
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- relatar mensalmente ao Ministério da Educação, a partir de modelo em canal restrito digital, desenvolvimento do Ciclo Temático e contribuição dos componentes da equipe.
Funções do ensinador:
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- elaborar, junto com o coordenador e demais ensinadores, cronograma e avaliações do Ciclo;
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- ensinar o conteúdo de sua ciência atrelado à temática do Ciclo em que trabalha;
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- comparecer às aulas nos horários estabelecidos pelo Ministério da Educação, mantendo atualizado no site o registro de atividades desenvolvidas;
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- incentivar o estudante a desenvolver o raciocínio amplo e irrestrito dentro de sala e fora dela, associando ensinamentos de diferentes ensinadores (postura interdisciplinar, expressão ainda usada nas conversas pedagógicas, mas desaconselhada fora do contexto, devido ao termo disciplina ter sido abolido da distinção de conteúdos de diferentes ensinadores);
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- transmitir valores aceitos e difundidos desde o Marco da Democracia Autorresponsabilizadora, usando sua ciência e a temática do Ciclo como exemplos do que se deve e o que não se deve utilizar em sociedade para que ela se mantenha íntegra;
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- proporcionar aos estudantes o desenvolvimento de espírito crítico nas discussões em sala de aula, nos debates organizados no cronograma e nas conversas fora do ambiente formal de ensino; o estudante deve ser capaz de fazer livres interpretações das narrativas discutidas, é papel do ensinador dizer a ele quando a interpretação foi correta ou não e explicar;
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- enviar relatórios mensais ao coordenador, seguindo modelo do site, para que ele possa se preparar para a reunião mensal da equipe.
Organização dos Ciclos Temáticos
Cada ciclo corresponde a 9 meses de trabalho, que podem ser modificados para cada estudante conforme o rendimento nas avaliações. A cada 6 meses, todos os Ciclos são iniciados. Durante um ano, todos os Ciclos começam duas vezes, com equipes diferentes em sua constituição. O Ciclo se divide em 3 etapas, podendo haver uma 4ª etapa conforme alguns resultados. O estudante que cumprir com 100% de aproveitamento uma das etapas, constatado pela Avaliação, pode ser orientado para tarefas diferentes, valorizando seu potencial.
Etapa Básica: os 6 primeiros meses de estudo são obrigatórios para todos os estudantes, que acompanham o estudo da história proposta e das ciências, tudo de modo integrado. A primeira avaliação completa, chamada de Avaliação Básica, ocorre no final do 6° mês. Alguns itens questionados na Avaliação não foram ensinados em sala de aula ainda, mas o estudante de raciocínio aprimorado é capaz de responder e com espírito crítico chega às conclusões acertadas, oferecidas pelo ensinado apenas na Etapa Final. O estudante que tiver 100% de aproveitamento nesta etapa, a ser registrado na Avaliação Básica, pode seguir para o Ciclo seguinte, iniciado no mês seguinte.
Etapa Complementar: os 2 meses seguintes (meses 7 e 8) servem para complementar, em cada ciência, os ensinamentos necessários para a compreensão daquele Ciclo. Ao final do mês 8 é realizada a Avaliação Complementar. O estudante que obtiver 100% de aproveitamento na Avaliação é convidado para participar do Grupo de Debates InterCiclos.
Grupo de Debates InterCiclos: composto por estudantes de diferentes Ciclos Temáticos que obtiveram 100% de aproveitamento na Avaliação Complementar. Durante 2 meses, os estudantes são acompanhados e orientados por profissionais de cada ciência (cada um no seu horário) para debater sobre conclusões diferentes sobre as abordagens possíveis das histórias apresentadas como temas dos Ciclos. Opiniões de estudantes de Ciclos diferentes podem ajudar a fazer mais educação. Os profissionais que orientam os InterCiclos são acompanhados diretamente por um representante do Ministério da Educação.
Etapa Final: o mês 9 é utilizado para as conclusões de cada ciência sobre a temática do Ciclo. Cada ensinador apresenta as análises finais de conteúdo, assim como o coordenador mostra aos estudantes o que se pode dizer sobre o assunto estudado durante os nove meses. A Avaliação Final determina se o estudante pode ser considerado apto ou não. Em caso de 100% de aproveitamento, ele está aprovado e pode trabalhar em serviços auxiliares da escola por até 45 dias até o início do próximo Ciclo (este serviço é remunerado). Quem não obtiver 100% de aproveitamento na Avaliação Final segue para a Etapa Repetitiva.
Etapa Repetitiva: o conteúdo dos nove meses do Ciclo Temático é repetido durante os 3 meses da Etapa Repetitiva. A elaboração do conteúdo é feita pela equipe tendo como referência as carências dos estudantes ao longo das Etapas anteriores. Ao final de cada mês da Etapa Repetitiva uma avaliação é feita. Se 100% de aproveitamento for atingido, o estudante está aprovado no Ciclo Temático, mas não pode trabalhar na escola. O estudante que não obtiver 100% de aprovação no final da Etapa Repetitiva é desligado do Sistema de Ensino e deve comparecer ao Ministério da Educação para receber seu histórico escolar, assim como a orientação vocacional. O ensinador (ou os ensinadores) responsáveis pelo fracasso do estudante também devem comparecer ao Ministério da Educação.
O estudante ingressa nos Ciclos Temáticos com 11 anos de idade. Importa lembrar que mesmo o estudante avançado deve cumprir as etapas dos Ciclos Alfabetizantes até os 10 anos de idade. O que muda para ele é a quantidade de material utilizado na alfabetização, o que pode aprimorar seus conhecimentos vocabulares, mas não adiantá-lo em relação aos demais estudantes, por preocupações sociais e pedagógicas explicadas na Cartilha para Alfabetizar.
Ao ingressar no primeiro Ciclo Temático, aos 11 anos, o estudante percorrerá os meses da Etapa Básica do ensino. A partir do final do mês 6, conforme seu resultado avaliativo, pode passar para o Ciclo Temático seguinte. Um estudante regular cumpre os 9 Ciclos Temáticos em 9 anos. Um estudante brilhante cumpre os 9 Ciclos Temáticos em 4,5 anos. Prazos entre esses dois números são possíveis, com recompensas atreladas a eles, conforme mencionado acima.
Temáticas dos Ciclos
Cada Ciclo Temático deve acompanhar estritamente a narrativa proposta. Diálogos com materiais de ciclos anteriores têm propostas pedagógicas estipuladas para serem realizadas. Menção de partes de narrativas a serem utilizadas em ciclos posteriores estragam o desenvolvimento pedagógico e podem levar o ensinador, por recomendação do coordenador, a ter que se explicar no Ministério da Educação.
Ciclo Temático 1: História da Sociedade de Vidro
Ciclo Temático 2: História da Mudança de Fala
Ciclo Temático 3: História de Dois Lugares Diferentes
Ciclo Temático 4: Comparativo 1
Ciclo Temático 5: História da Vida Sob a Marquise
Ciclo Temático 6: Comparativo 2
Ciclo Temático 7: História dos Livros Queimados
Ciclo Temático 8: Comparativo 3
Ciclo Temático 9: História das Mulheres que Sussurram
Gustavo Burla
Texto publicado originalmente no dia 11 de julho de 2018, no Medium.