Ensinador,
lembre-se que estes Ciclos Temáticos devem ser utilizados conforme as normas apresentadas na Cartilha para Ensinar e, para o bom desenvolvimento pedagógico, precisam seguir a ordem cronológica abaixo, definida pelo Ministério da Educação.
Ciclo Temático 1: História da Sociedade de Vidro
Ciclo Temático 2: História da Mudança de Fala
Ciclo Temático 3: História de Dois Lugares Diferentes
Importante que o estudante entenda que os nomes dos Ciclos Temáticos, que são escritos a partir das narrativas escolhidas para cada Ciclo, são o primeiro passo para a compreensão e assimilação desse discurso. Uma realidade com dois lugares diferentes deve servir como referência para que seja entendido o problema de haver dois espaços diferentes numa mesma sociedade. Temas espaciais são importantes para todas as ciências, sobretudo a Geografia.
A possibilidade de lugares diferentes, com valores, organizações sociais e condições diferentes para a vida do cidadão, faz com que a palavra cidadão seja colocada em dúvida. O indivíduo perde a identidade, porque não pode ser cidadão se não vive na cidade. Sabemos que existem as regiões rurais em nossa sociedade, mas fazem parte da grande região administrada pela cidade. Na história, a diferença é maior: cada um dos espaços narrados tem uma autonomia que não ajuda na organização social.
Palavra importante: identidade. A palavra tem origem em um termo do latim, uma língua morta que deu origem a outros vocábulos que mudaram com o tempo e usamos hoje. Identidade nasce da palavra ‘idem’, que significa ‘igual’. Se não podemos dizer que alguma coisa ou alguém tem valores, critérios de organização social e condições de vida possibilitadas de modo igual a outra coisa ou a outro alguém, não existe identidade. Todos nós temos nossa identidade e devemos preservar essa identidade através da manutenção do espaço comum, em condições iguais. Sem esta identidade, teremos diferenças grandes demais entre as pessoas no que diz respeito ao convívio social, o que abalaria os valores da autorresponsabilidade.
A história com dois lugares diferentes não pode ser chamada de sociedade, porque existem nela dois modos diferentes de desenvolvimento social. O foco da análise neste Ciclo é a sociedade urbana, em que as pessoas são também divididas e organizadas. O fato de existirem dois espaços no mundo proporciona a possibilidade dessas várias formas de relacionamento. Os moradores daquela sociedade eram divididos em castas, o que ocorria desde a fabricação das pessoas. Sim, fabricação, pois as pessoas feitas em laboratório não nasciam. Cada uma já era fabricada para completar uma necessidade social, como num jogo de encaixe de peças em que as velhas eram substituídas por novas.
Essa situação de fabricação de pessoas é também resultado do chamado “Poliamor”. Amor é uma forma de sentir algo por alguém. Se “cada um pertence a todos”, Poliamor é sinônimo de promiscuidade, o que não é permitido numa sociedade de respeito a valores dos outros. Não existia, naquele contexto, o diálogo com o outro e as propostas de relacionamento, o que é incentivado em nossa sociedade. Sequer se perguntava se o outro estava bem: a ocorrência sexual vinha antes, inclusive nas crianças, ainda não educadas para isso.
Eram desenvolvidos padrões de comportamento de forma maquinal na sociedade. Cada um tinha seu lugar e não podia sair dali. Isso fazia com que o governo organizasse toda a população para a produção em massa, ignorando as individualidades do seus cidadãos. Mais do que em qualquer outro ciclo até aqui, a preocupação com as características de cada um é importante, porque são essas partes diferentes de cada um que permitem o uso da criatividade e o desenvolvimento de propostas novas para fazer uma sociedade mais.
O que aprendemos com a História:
– As tecnologias são importantes e fundamentais no desenvolvimento social. A cada momento, diferentes inovações transformam as relações sociais. As tecnologias boas permanecem e mudam a vida das pessoas para melhor, as ruins acabam. Toda sociedade tem suas tecnologias, o que não podemos é tratá-las com valores maiores do que merecem. Quando um maquinista vira o marco para o início de um tempo, fica fácil de perceber que aquela sociedade, diferente da nossa, não se preocupa com os humanos em primeiro lugar.
– Proibir livros sem critério é um crime. Os sentimentos estão nas pessoas, não nas obras, por isso não adianta impedir a leitura. Nossa sociedade incentiva a leitura, inclusive nosso formato pedagógico dos Ciclos Temáticos é todo elaborado tendo como referências narrativas que precisam ser lidas por todos, para a compreensão dos erros do passado. História é a ciência que estuda o passado para compreender o presente e melhorar o futuro.
– A desmotivação do desenvolvimento da criatividade através da mecanização, da proibição dos livros e do uso de música sintetizada embrutece as pessoas. Todo cidadão precisa criar e pensar por si só. Para que a mesma sensação de liberdade exista, o governo totalitário oferece drogas às pessoas. Nossa sociedade preza pela liberdade, não pela liberdade fingida, por isso não precisamos do uso de drogas na formação de Cidadãos de Bem.
Ciclo Temático 4: Comparativo 1
Ciclo Temático 5: História da Vida Sob a Marquise
Ciclo Temático 6: Comparativo 2
Ciclo Temático 7: História dos Livros Queimados
Ciclo Temático 8: Comparativo 3
Ciclo Temático 9: História das Mulheres que Sussurram
Texto publicado originalmente no dia 11 de julho de 2018, no Medium.