Armário de troféus

Armário de troféus

A primeira atividade da faxineira, quando chegasse na casa em que trabalhava, era limpar os troféus. E os vidros do armário em que estavam. A última função era repetir a limpeza dos vidros, do lado de fora, porque sempre subia o pó que ela levantava com vassoura e pano na faxina.

Foi assim por anos, três vezes por semana, até que a recomendação era que ficasse em casa até a pandemia acabar, recebendo semanalmente como se tivesse feito faxina.

Na casa, vassoura e panos funcionavam no ritmo dos patrões, mas ninguém ousava tocar nos troféus ou no vidro. Que embaçou. E embaçou mais. E mais um pouco até ficar pálido. O museu abandonado foi perdendo destaque, prioridade e as pessoas que tinham nomes naqueles troféus passaram a se preocupar mais com o presente.

Gustavo Burla

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *