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Aion (ou A Eternidade)

Aion (ou A Eternidade)

Quando Chronos – o Tempo – e Ananké – a Inevitabilidade – se apaixonaram, não criaram apenas o mundo. Desconheço as formas como os homens vertem e subvertem seus mitos, mas no princípio também havia o Amor. E dessa espiral romântica que explodiu e originou o universo, ordenando-o em terra, céu e mar, nasceu Kairós, o filho do Tempo. O pedaço do Tempo em que algo indeterminado acontece. O pequeno fragmento do Tempo, o instante que é também o próprio Tempo.

A Oportunidade.

O primogênito tão aguardado, tão ansiado… Tão desejado que ninguém esperava que um segundo bebê estivesse prestes a romper o ventre do inevitável também. Mas foi assim mesmo que eu nasci, eternamente tentando segurar Kairós pelos pés.

Táscia Souza

Plantação

Plantação

– Estamos falando ao vivo aqui do parque central da cidade, onde pessoas de várias escolas estão semeando no novo canteiro público. Bom dia, meu jovem, o que você está plantando?

– Tomates.

– Que ótima ideia para alimentar as pessoas.

– E jogar nelas.

– Ah… claro… E você, criança, o que vai plantar?

– Esta é uma semente de cupuaçu.

– Mas isso é típico do Nordeste, será que vai germinar aqui?

– Tamos precisando, né?

– Professora! Que ótimo encontrá-la aqui. Magnífico o seu projeto de semear no parque da cidade.

– Obrigado. Não imaginei que a imprensa viria aqui.

– Achamos que era uma ação social e apartidária.

– Nem por isso alienada.

– A senhora sabe que se o Escola Sem Partido…

– Criado pelo Partido Sem Escola?

– É que… E a senhora, tá plantando alguma coisa?

– Jaca.

– Mas vai demorar a crescer.

– Sou professora.

Gustavo Burla