Abraços

Abraços

Abracei a primeira pessoa que vi na rua. Naquele tempo foi estranho, antes via gente na rua de quinze em quinze dias, ao sair para as compras. Quando tudo acabou, dei um abraço na primeira pessoa que encontrei. E ela me abraçou de volta. Sem susto, sem surpresa. Foi troca de carinhos, de saudades, de vontade de ser gente na rua de novo. Todo mundo se abraçou. Até hoje a gente se abraça muito, bem mais do que antes de a gente ter que ficar em casa abraçando gato, cachorro, arco da porta. Abraçar gente porque a gente pode abraçar gente é o que nos faz humanos. Todo mundo se abraça hoje em dia, cada abraço gostoso, que preenche. Na fila do banco, na porta do banheiro do bar, na rua sem mais nem quê, todo mundo se abraça. Com a sensação de que sempre falta alguém para abraçar.

Gustavo Burla

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