Voto de papel

Voto de papel

— Boa tarde. Chamei vocês dois pra essa audiência secreta on-line pra resolvermos um problema grave: o voto de papel.

— É sério isso mesmo?

— Vamos focar. Temos uma orientação da presidência pra apresentarmos uma proposta. As próximas eleições precisam acontecer com voto no papel.

— Vai ficar muito caro!

— Custo não é um problema, somos um país rico e (repito o que me disseram, por isso fiz essas aspas com os dedos, mas pode ter dado delay) já tiramos verba da educação, da cultura e dos auxílios sociais.

— Ainda tinha verba na cultura?

— Mantenha o foco! Precisamos de uma solução objetiva, organizar a cédula de modo prático e pra caber todos os candidatos.

— São muitos, só deixar o espaço pra cada eleitor escrever…

— Claro que não! Percebeu que estamos num caos de mão dupla? Os últimos cortes na educação acabaram com o letramento e os que já eram letrados não sabem mais pegar em caneta. Na eleição, já teremos mais de dois anos em que as pessoas só digitam!

— Tem que ser eleição de marcar X?

— Pros eleitores que apostam na reeleição dele, sim. E precisamos ter na cédula todos os nomes de todos os candidatos elegíveis pra todos os cargos!

— Vamos precisar de um formulário contínuo ou de… E quem é essa terceira pessoa na conversa que não abre a câmera? Relator da reunião?

— Ele ainda não sabe ligar a câmera. É um medievalista, vai ser muito esclarecedor nesse assunto.

Gustavo Burla

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